domingo, 27 de abril de 2014

Reflexão #4

Bem, talvez não continue desempregada por muito tempo, no entanto não é na minha área de trabalho e talvez só consiga o emprego graças a uma cunha. A quem devo agradecer imenso por pensar em mim e querer tanto ajudar-me quando não tem, de todo, qualquer obrigação para comigo.
Na verdade até é no ramo em que sempre disse que nunca iria trabalhar: a restauração. Isso porque já tive uma pequena, mesmo muito pequena, experiência na área mas foi de todas a pior que alguma vez tive.
Apesar dos meus receios que perduraram devido a essa experiência, quis na mesma superar os meus medos e enfrentá-los, tendo como principal objetivo começar a por dinheiro de parte para contribuir com um futuro a dois.
Só esta razão me dá energia para seguir em frente e esquecer as partes negativas.
Para ser sincera, nunca pensei que isso me desse tanto incentivo e ainda bem, agradeço imenso por não me deixar levar pelo pessimismo.
Principalmente que esse trabalho não me vai impedir de continuar a procurar na minha área e de aceitar uma oportunidade caso ela apareça.

:)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Reflexão #3

Se vocês repararem bem, muitas pessoas que não tem filhos, parentes ou pessoas conhecidas no desemprego não têm noção da dificuldade que é de encontrar emprego neste momento de crise.
E quando numa conversa vos perguntam o que estão a fazer e que, infelizmente, a resposta não pode ser outra senão a que se está desempregado, elas vêem-nos com soluções como se fosse muito simples.
Quantas vezes a mim não me disseram "olha mas porque é que não tentas aqui ou acolá, eles estão a procura de alguém" e quando procuramos saber um pouco mais não dá porque não é da área e não se tem as qualificações para, ou porque tu já tentaste naquele local e nunca obtiveste resposta nenhuma ou porque há outro problema qualquer que impede de atingir o objetivo pretendido. 
Ou ainda quando me dizem "Se calhar tens que entregar em mão os CV's, pode ser que tenhas mais hipóteses". Isso quer dizer o quê? Tenho cara de quem não quer ir trabalhar e não tenta tudo por tudo para encontrar alguma coisa? Lá por ser jovem não quer dizer que esteja à vontade com a situação, que não me importo de ainda estar em casa dos pais e ainda não estar a preparar as coisas para um dia voar das minhas próprias asas.
Melhor ainda é quando comparam a situação de dois países diferentes e que me aconselham em arranjar um trabalhinho qualquer e depois continuar a procurar na minha área, porque, não sei onde (tudo menos Portugal), dá para fazer isso...
A séééériiioo??? Estão mesmo a fazer esta comparação?
E quantas não me perguntam se não quero sair daqui e ir para fora já que venho de fora...
A verdade é que não estou contra isso, essa hipótese nunca foi posta de parte mas quando penso bem, se não fosse a situação económica do país vivíamos num paraíso.
Porque de onde venho passam-se 11 meses a trabalhar arduamente, em que a rotina limita-se ao trabalho-casa/casa-trabalho, isso para ter direito a 1 mês de férias e é para aquelas que hoje ainda o conseguem ter, porque a crise também se habateu nos outros países.
A verdade é que não sei mas se tenho uma hipótese sou bem capaz de fazer as malas e partir, mas partir sem ter nada de preparado também não me atrevo.
Fazer as coisas com cabeça...

:)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Reflexão #2

Eu não pretendo queixar-me porque independentemente da situação ainda consigo ter uma vida bastante agradável e há quem esteja bem pior. Mas a verdade é que quando os teus dias são todos os mesmos não tens muito para contar à noite. Não me posso queixar porque o C. está sempre a meu lado e apoia-me sempre que pode, ele até podia ir colher a lua por mim só para eu ficar melhor. Mas a verdade é que às vezes irrita-me quando ele me liga ao fim da tarde e me pergunta todos os dias:
 "Então pequenina, como foi o teu dia hoje?"
O que posso eu dizer a não ser "o mesmo de sempre"... Sendo ele tão criança posso inventar uma história como a de ir à Lua e voltar que ele entusiasma-se, pergunta-me como foi ir lá e se não tive muito frio...
São pequenas parvoíces dessas que me fazem acabar o dia a sorrir, porque mesmo que a situação seja desagradável e que eu esteja com o pior humor de sempre, ele consegue sempre fazer-me esboçar um sorriso.
Como já o disse não quero ser pessimista e deixar que uma depressão se apodera de mim. Pretendo manter o meu bom humor e vontade de seguir em frente mas infelizmente não consigo manter esse estado de espírito 24h/24 7dias/7, por pena minha. Por isso nesta altura é preciso muita paciência para me aturar, para vos dizer a verdade, nem eu me aturo a mim própria.
Obrigada C. por estares comigo nos bons e maus momentos...

Love you <3

;)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Reflexão #1

Aqui estou eu, quase com 24 anos, jovem, rodeada pela família que não tem parado de crescer nestes últimos anos, apaixonada ao ponto de achar que encontrei a minha cara metade, com um diploma na mão,  cheia de energia para iniciar a minha vida profissional e... nada.
Nada de nada, apetece-me dizer.
9 Meses que acabei o meu curso e que desde então estou à procura do meu primeiro emprego!
Certo, com um break de 2 meses e graças ao qual pude, por um momento, esquecer a preocupação diária que me é aflingida desde que um ponto de interrogação se instalou em cima da minha cabeça e do meu futuro. Mas mesmo assim, essa pergunta tão impossível de esquecer permanecia no fundo do meu cérebro, como quem esquece algo numa gaveta mas que mais tarde volta a encontrar por azar:
"O que é que vou fazer quando o estágio acabar???"
Pois... Azar é mesmo investir em estudos (e mais não sou das que mais se podem queixar tendo em conta que não tirei nenhuma licenciatura), com a esperança de que me dê alguma sorte para me tornar numa pessoa ativa e por mais que se procure, nenhum resultado é alcançado.
Ou é porque não há grande oferta na minha área... qual delas me dizem vocês?? Pois, essa é mais uma pergunta que se acumula às outras. Um bocado como crianças que devem esperar em fila indiana porque a professora mandou que esperassem sossegadamente quando terminassem o seu exercício de ginástica. Quando uma aparece pouco tempo depois aparece outra e ficam aí acumuladas num mesmo local. 
Neste caso, é na minha cabeça, e na de todas as outras pessoas deste país que estão a passar pelo mesmo, que as perguntas se acumulam e que não passam disso.
Ou é porque se responde a ofertas mas nunca mais há sinal de vida da empresa em questão.
O que vale é que a esperança é a última a morrer e por ainda ser jovem penso que se não é hoje será amanhã e se não for amanhã será depois de amanhã... assim sucessivamente.
No entanto, acho que em tão pouco tempo consegui ter um dos piores cenários que podem existir para um recém licenciado/diplomado/whatever desempregado:
Ter uma oportunidade de trabalho na área pretendida, numa empresa onde já estagiaste, que já te conhece (pouco mas já), localizada na tua região ("O ideal!!" pensam agora vocês) mas...não. Porquê? Porque apesar de oferecerem um estágio profissional só te querem dar um estágio curricular. Outra vez -Porquê?? Eeeuuuhh...não sei... Permaneço à espera da explicação.
Eu até poderia insistir com eles, mas até para receber a resposta do "Neste momento só te conseguimos dar um estágio curricular" tive que insistir. A verdade é que se estivessem minimamente interessados teriam tentado arranjar um acordo, do género só te oferecemos o estágio curricular mas para não teres despesas pagamos-te ao menos o transporte e a alimentação. Mas não, nem isso houve, por isso acho que não vale a pena perder tempo com pessoas que não estão, nem mostram um mínimo de interesse por ti. 
Continuem então lá à procura de alguém melhor para preencher a vaga, mas a verdade é que já lá vão 4 meses que o anúncio perdura... 
Eu só sei é que quem está nesta situação apercebe-se da realidade do mercado e não falo apenas das dificuldades em encontrar trabalho, mas sim em como certas empresas, donos/patrões se aproveitam bem da situação.
Não pretendo ser má língua mas sim dizer a verdade.
Cabe isto a alguém??? A mim não, revolta-me até.
Porque depois são situações do género de uma que me aconteceu quando tive de voltar a Lisboa para assinar o contrato do estágio na minha antiga escola (este post vai ser muito comprido):
Todos os Lisboetas sabem a confusão em que a Carris ficou desde que anulou certos autocarros e então um caminho que costumava fazer em 20 minutos fi-lo em 45...
Com tanta gente a querer entrar no autocarro a confusão depressa se instalou. Azar das rapariguitas que estagnaram no meio do bus e que não pensaram em ir mais para o fundo para deixar espaço às pessoas que ainda queriam entrar porque não podiam de todo esperar o próximo.
Pois, coitadas que levaram com uns comentários tanto ou tão pouco desagradáveis de uma senhora dos seus 50-60 anos. Entre não sei quantas coisas que lá desabafou houve um que apenas me deu vontade de rir: "Os jovens de hoje nada querem fazer e quando os velhos morrerem não sei onde é que este país vai parar!!"
Eu ri-me porque só pensei numa linda resposta que caía muito bem mas que não disse para evitar confusão tendo em conta que uma das raparigas calada não ficou.
"Minha senhora, é com pessoas da sua mentalidade que este país não vai longe e graças a pessoas como você que os jovens de hoje fojem à procura de melhor!"
Generalizar e enfiar-nos todos no mesmo saco não nos leva a lado nenhum...
Ainda tenho muito para dizer mas por hoje já chega...amanhã volto com mais e de preferência animada.
Força a todos os jovens e menos jovens desempregados, porque infelizmente esta situação instalou-se e está para durar.

:*